Há dias em que estou partida. Em mil pedaços, dificeis demais pra serem remontados. Tem dias que tudo me parece tão errado, a roupa parece errada, o cabelo parece errado, o corpo no qual estou parece errado, respirar parece errado.
Há em dias em que nem o sol parece querer dar as caras em um mundo como esse. O azul não é azul, é cinza. As nuvens não formam figuras, mas são monstros, mantos escuros que cobrem tudo que é belo.
Há dias em que todas as flores estão mortas, que não existe nada colorido, que não existem sons de felicidade ao redor. Existe um silêncio, dolorido, como o que antecede o choro, o desespero.
Há dias que o coração parece prensado demais dentro do corpo para bater, que o rosto parece endurecido demais para permitir um simples sorriso.
Há dias em que meus músculos parecem tão retraídos, e o ato de tentar esticar meu corpo causa uma dor dilacerante, torturante, e a cada tentativa de me esticar, eles ficam ainda menos elásticos, fazendo com que eu me encolha até não sobrar nada. A certeza de que não há nada é a única certeza que se tem.
Há dias em que minhas palavras parecem tão sem sentido, tão infimas, tão pobres, tão desimportantes... Há dias em que não deveria haver o dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário